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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Desencontro












Por instantes, imagino um encontro comigo num outro tempo,
ensaio as palavras que me diria e as decisões que tomaria...
Estou a olhar-me nesse tempo em que o agora era o futuro distante, 
uma espécie de eternidade por cumprir...
Distante, revejo certezas incertas, projectos,
sonhos, ilusões legítimas...
Fixo-me no olhar e vislumbro um sorriso aberto
no tempo, como se o tempo não fosse uma armadilha...
Penso-me num instante passado,
relembro a crença numa forma generalizada
de imortalidade inconsciente, natural...
Nesse tempo uma morte era uma tragédia,
hoje é apenas mais uma morte,
natural e indiferente...
Naquele tempo em que me encontro comigo,
chegado dum futuro tornado passado
onde o presente não existe,
abraço-te numa promessa nunca cumprida...
Encontro no desencontro
dum tempo sem tempo,
onde as palavras ecoam
sem forma nem conteúdo...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

No teu aconchego...










Abraço-te na Noite sem contornos... Sei que podemos transformar o tempo que nos resta na mais doce aventura... Conheço as mensagens contidas no sabor dos teus lábios...
Denunciamos no código dos nossos gestos os pensamentos e receios mais profundos...
Quando adormeces ao meu lado, sabes que estou ali para te proteger, sabes que enquanto eu existir, a vida percorrerá as tuas veias... Sabes que somos alma e sangue, ontem, hoje, amanhã e sempre...
Amo-te Tudo!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Lágrimas latejando...











Caminhos de ontem, lugares de memória,
horizontes desaparecendo no horizonte da vida,
Tempestade de silêncios,
Lágrimas esvoaçando em todas as direcções...
Últimos instantes de tudo...
O saborear distante de um último momento,
um olhar de despedida, um som, um gesto, uma expressão...
Momentos únicos arrancados à força das nossas mãos,
presenças ausentes na eternidade que se anuncia,
num anúncio de dôr e mágoa...
Onde estão as côres que nos prometeram,
os sois mágicos...
A vida que se sente não preenche o requisito mínimo do sonho...
Talvez este tempo seja apenas uma prova ou um ritual de passagem...
Talvez as lágrimas sejam a fonte de um rio por navegar...
Talvez, exista um mistério maior por detrás deste suicídio tímido...
Talvez...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

No arrastar dos teus passos de flanela...










Recordo-me do teu rosto rosado de bébé,
da forma como falavas, dos teus gestos ternos...
Fazias parte do meu dia, compunhas os meus pensamentos...
... de repente esqueci-me se te tratava por "Tu" ou "Você"...
Lembro-me da forma como agarravas as tuas canecas...
... amavas as tuas canecas e as histórias que as moldavam...
Falei de ti hoje... Senti aquele aperto da saudade...
Escutei os teus passos de flanela na direcção da porta,
olhei e vi nos teus olhos a cegueira dos teus...
Lembro-me que escolhi ignorar a tua partida,
inventando-te um lugar aqui...
Por momentos acreditei que poderias continuar eternamente velho,
... aquele velhinho com rosto de bébé...
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