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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Desencontro












Por instantes, imagino um encontro comigo num outro tempo,
ensaio as palavras que me diria e as decisões que tomaria...
Estou a olhar-me nesse tempo em que o agora era o futuro distante, 
uma espécie de eternidade por cumprir...
Distante, revejo certezas incertas, projectos,
sonhos, ilusões legítimas...
Fixo-me no olhar e vislumbro um sorriso aberto
no tempo, como se o tempo não fosse uma armadilha...
Penso-me num instante passado,
relembro a crença numa forma generalizada
de imortalidade inconsciente, natural...
Nesse tempo uma morte era uma tragédia,
hoje é apenas mais uma morte,
natural e indiferente...
Naquele tempo em que me encontro comigo,
chegado dum futuro tornado passado
onde o presente não existe,
abraço-te numa promessa nunca cumprida...
Encontro no desencontro
dum tempo sem tempo,
onde as palavras ecoam
sem forma nem conteúdo...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Dentro do medo










Agarro as palavras, arrasto-lhes o sentido,


pronuncio-as prudentemente,

silencio-lhes a aspereza e o mêdo,

pego-lhes de rompante,

como quem apanha uma serpente...

Viscosas, enrolam-se, estrangulam-me,

numa roda que gira entrecurtada

por silêncios que ruminam

sem propósito ou destino...

Rumo em direcção aos lugares

famintos de dôr e amor,

carentes de vida e de sonho...

Debruço-me donde vislumbrava

horizontes e marés...

Estemeço na vertigem,

irmã do abandono...

Olho-te no caminho da memória,

revejo a tua expressão,

sem vida...

Assusto-me nas palavras que não digo,

como quem ama em segredo...

Adormeço na tarde ainda quente

da tua presença colorida...

Adivinho a manhã que se recusa a nascer,

olhando a madrugada morta...

Abraço o vazio, num gesto sem nexo,

amarro memórias,

imagens, lugares, paisagens...

Recolho o último vestígio,

como quem emoldura

a sua própria imagem...

Ondulo o espanto no desencanto

do canto...

Navego na espuma dos dias

em busca de um navio fantasma...



Barão de Campos

domingo, 15 de março de 2009

Os teus olhos pareciam eternos...







Recordo a ternura que irradiava do teu olhar,

a tua beleza era uma fórmula divina,

a tua voz doce e quente abrandava tempestades...

Acreditei que tudo em ti fosse perfeito,

eterno, apaixonante...

Lembro-me de ti como da mais bela manhã,

como se as madrugadas pudessem ter côr...

Sinto-te nas noites longas,

espero-te em cada lugar,

como se tivesses a resposta,

a palavra, a revelação

do mistério da vida e da morte...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Milagre...










Entrelaçam-se ao som do Coração...
Lembro-me do tempo solar, daqueles instantes feitos de esperança,
recordo-te na paisagem que permaneces...
Amo-te no Sonho que insisto em Sonhar,
Olho-te e aconteces...
...Por Milagre...
Como que por Magia, aprendemos a navegar no tempo,
neste tempo que já foi neste tempo...
Olho-te, pego-te na mão, aninho-me em ti,
sinto o teu calor...
Sinto as tuas lágrimas antes de lacrimejares,
sinto as tuas mãos instantes antes de as tocar...
Escuto as tuas palavras antes de atravessarem os teus lábios...
Sinto em cada instante de Nós...
O Milagre!
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