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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Dentro do medo


Agarro as palavras, arrasto-lhes o sentido,

pronuncio-as prudentemente,

silencio-lhes a aspereza e o mêdo,

pego-lhes de rompante,

como quem apanha uma serpente...

Viscosas, enrolam-se, estrangulam-me,

numa roda que gira entrecurtada

por silêncios que ruminam

sem propósito ou destino...

Rumo em direcção aos lugares

famintos de dôr e amor,

carentes de vida e de sonho...

Debruço-me donde vislumbrava

horizontes e marés...

Estemeço na vertigem,

irmã do abandono...

Olho-te no caminho da memória,

revejo a tua expressão,

sem vida...

Assusto-me nas palavras que não digo,

como quem ama em segredo...

Adormeço na tarde ainda quente

da tua presença colorida...

Adivinho a manhã que se recusa a nascer,

olhando a madrugada morta...

Abraço o vazio, num gesto sem nexo,

amarro memórias,

imagens, lugares, paisagens...

Recolho o último vestígio,

como quem emoldura

a sua própria imagem...

Ondulo o espanto no desencanto

do canto...

Navego na espuma dos dias

em busca de um navio fantasma...



Barão de Campos

domingo, 15 de março de 2009

Os teus olhos pareciam eternos...


Recordo a ternura que irradiava do teu olhar,

a tua beleza era uma fórmula divina,

a tua voz doce e quente abrandava tempestades...

Acreditei que tudo em ti fosse perfeito,

eterno, apaixonante...

Lembro-me de ti como da mais bela manhã,

como se as madrugadas pudessem ter côr...

Sinto-te nas noites longas,

espero-te em cada lugar,

como se tivesses a resposta,

a palavra, a revelação

do mistério da vida e da morte...

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